“A história de uma advogada super empreendedora” por Glorita Cajaty

 

“A história de uma advogada super empreendedora” por Glorita Cajaty

No próximo mês de Novembro, várias Associadas BPW a nível nacional estarão participando da XXVII CONFAM, cujo tema este ano é: “Empreendedorismo em alto mar”. Como sabemos a CONFAM – Convenção Nacional da Federação das Associações de Mulheres de Negócios e Profissionais do Brasil será uma experiência ousada e inovadora e acontecerá nos dias 13 a 16 de Novembro de 2015 onde o navio partirá de Santos – SP.

Por este motivo compartilhamos o artigo da Associada e Coordenadora da Comissão de Novas Associadas, Glorita Cajaty, Psicóloga e Coach sobre a resenha do livro “Uma Medida Cheia – A vida de Lena Madesin Phillips” de Lisa Sérgio que conta a história da advogada revolucionária que deu vida a  BPW – Business and Professional Women em 1930.

Para quem não sabe a BPW é atualmente uma ONG que agrega mulheres empresárias e profissionais presente em mais de 100 países e em 20 municípios do Brasil e com forte representação em diversos órgãos da ONU.

 

FOTO 1 - HISTORIA DE UMA ADVOGADA - 26 DE OUTUBRO DE 2015

Resenha: 

Naquele ano de 1918, na primeira Conferência das Mulheres de Negócios, Madesin sentiu que surgiriam no futuro movimentos bem maiores visando o interesse das mulheres. Para o contentamento de todas, ela estava certíssima.

Anna Lena, conhecida como Lena Madesin, foi fundadora da BPW internacional. Além de ativista pelos direitos humanos, foi a primeira mulher a se formar em Direito com honras na Law School of the University of Kentucky e em sua juventude tendeu a seguir pela carreira da música. Porém algumas frustrações pelo caminho a impediram de se tornar uma consagrada pianista.

Apesar de seu interesse prévio na causa, foi com um convite da Associação Cristã de Moças (YWCA) que Madesin encontrou a oportunidade de reunir as mulheres de negócios em uma conferência buscando o bem comum e a estabilidade no período de guerra, porém com o seu fim parecia não fazer mais sentido articular as mulheres, entretanto a Srta. Phillips foi convidada a dar continuidade ao trabalho, vindo a construir uma única federação. Para fortalecer o projeto uniu-se a Associação Nacional de mulheres do comércio, e a mais de centenas delas que buscavam o avanço da organização, que em 1920 já estava bastante conhecida e contava inclusive com palestrantes estrangeiros. Sua proposta ia se propagando pelo mundo, atravessando o oceano.

Ela tinha uma grande visão de futuro, não desejava a supremacia das mulheres sobre os homens e sim a igualdade entre os gêneros, sendo reconhecidos como iguais mental e fisicamente. Tal igualdade era totalmente atrelada a questão financeira.

Dentre muitas qualidade de Madesin estava o seu imenso senso de justiça.

“Defender que qualquer trabalho seja feito pela pessoa melhor capacitada, seja homem ou mulher”

Além disso, conseguia encontrar qualidades em cada pessoa e buscava sempre ajudar a todos.

Acreditava que a mesquinharia do individuo poderia acabar com a força de um movimento e por isso criticava a falta de solidariedade e o ciúme que havia entre as mulheres. Só as conquistas através da união delas iria garantir a existência da organização, e com essa mentalidade deu seguimento a seus projetos. A federação estava caminhando a todo vapor, claro que enfrentaram problemas, crises econômicas e a guerra, tudo isso tornava mais árduo o trabalho, mas Madesin de maneira nenhuma se sentia desmotivada, pelo contrário, sempre encontrava energia para novas atividades. Foi assim que paralelamente a federação também participou do Centro Mundial de arquivos de mulheres (WCWA), que tinha como meta manter os registros e memórias da luta feminina. Além disso, participou do Conselho internacional de mulheres, chegando inclusive a vice-presidência. Tantas atividades a fez deixar a advocacia em segundo plano e a causa feminil em primeiro lugar.

Os períodos que antecederam a guerra até o seu término foram de esperança e frustrações, pois Madesin viu algumas federações se desestruturarem e o movimento regredir mas ao mesmo tempo viu florescer muita determinação nas pessoas para reconstruir o que havia sido perdido. Teve um papel importante ao ser o amparo de centenas de pessoas com suas turnês de palestras pelo mundo levando palavras de conforto e coragem para as mulheres.

Durante a guerra apoiou firmemente um projeto que visava a participação da população feminina americana servindo ao exército em postos não combatentes. Em um momento tão crítico não se poderia rejeitar essa ajuda tão útil. Após a guerra, a Srta. Phillips que detinha de tamanha sensibilidade ficou abalada em ver o seu país destruir as cidades de Hiroshima e Nagasaki.

Definitivamente as palavras de Madesin foram um grito de guerra para muitas mulheres. A sua entrega pessoal em prol dessa causa a fez ser admirada pelo mundo todo. Sua força de liderança impulsionava quem estava ao seu redor e incentivava a classe feminina a não se satisfazer com pequenos resultados, pois elas poderiam alcançar objetivos maiores.

Em 1947, já idosa, Lena Madesin decidiu por não se candidatar a reeleição na presidência da Federação, claro que isso não a desligou da organização pois ela foi nomeada presidente-fundadora com uma cadeira na Diretoria, mas nesse momento seus frutos seriam passados para a nova geração, que daria continuidade a seu trabalho de 26 anos. Mas seus esforços por um mundo mais igualitário não pararam, ela ainda apoiou projetos em benefício da população negra, participou ativamente na politica e voltou seu olhar para as mulheres do oriente médio. Foi inclusive homenageada e premiada pela ONU pelo serviço público prestado, palestras e reuniões continuaram fazendo parte de seu dia-a-dia.

No ano de 1953, Madesin descobriu que estava doente, ainda assim fez uma viagem ao oriente e só vindo a falecer dois anos depois após uma intoxicação por uremia. Muitas foram as homenagens prestadas e os agradecimentos a uma mulher que passou a vida lutando com convicção  pelo bem de todos e uma visão muito além de seu tempo.

O livro foi escrito com base nos escritos de Lena Madesin, que tinha a intenção de escrever sua autobiografia assim como a história da fundação da Federação. Seus inúmeros compromissos impossibilitaram isso mas os seus textos redigidos de forma aleatória serviram como material base na construção dessa obra literária.

(Créditos: Glorita Cajaty)

Mais informação: http://gloritacajaty.com.br/a-historia-de-uma-advogada-super-empreendedora/

 

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